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Produzido pela Toys for Bob e publicado pela Activision, Crash Bandicoot 4: It´s About Time foi lançado no dia 2 de outubro de 2020 para Playstation 4, Xbox One e posteriormente para os consoles da nova geração. “Crash 4” segue o mesmo gênero que os outros títulos principais da franquia, ou seja, sua gameplay segue a dos gêneros de plataforma, em que o jogador deve enfrentar obstáculos e inimigos para passar a fase.

O jogo é uma sequência direta de Crash Bandicoot 3: Warped lançado em 1998. Sim, você não leu errado, o último título original da franquia seguindo a história principal foi lançado há mais de duas décadas (só para ter uma ideia, a pessoa que vos escreve ainda não era nem nascida). Porém, antes de seu retorno definitivo em um novo título original, o marsupial giratório já havia aparecido na nova geração em um remaster da trilogia original para Playstation 1 lançado em 2017 e denominado Crash Bandicoot N. Sane Trilogy e em outro remaster, dessa vez do Spin Off de corrida, de Crash Team Race Nitro-Fueled, lançado em 2019.

Já não era sem tempo! Será que ainda lembro da história?

A história do game é uma continuação direta dos eventos do terceiro jogo, ou seja, começamos a acompanhar o enredo a partir do final de Crash Bandicoot 3: Warped. A jornada começa com o sacrifício do vilão Uka-Uka e a abertura de uma fenda temporal para que N. Tropy e Dr. Neo Cortex escapem da prisão em que foram colocados pelos heróis Bandicoots nos games anteriores. Como não poderia ser diferente, a tarefa de resolver a crise no espaço-tempo, impedir uma tragédia de escala global e derrotar os vilões já icônicos da franquia, só poderia ficar nas mãos (ou seriam patas?) de dois marsupiais: Crash e Coco (e eventualmente alguns aliados, mas a gente já vai chegar lá).

Se você não jogou ou não conhece os predecessores de Crash Bandicoot 4, não se preocupe. Apesar da menção de viagens dimensionais e temporais, e do retorno de personagens que já foram apresentados e desenvolvidos anteriormente, a história é simples e de fácil compreensão. Talvez seja necessário um pequeno trabalho de pesquisa se quiser entender mais a fundo os eventos da narrativa, mas, caso a intenção seja focar na gameplay, é possível subentender os eventos da trilogia principal sem muito esforço.

Dito isso, Crash Bandicoot 4: It´s About Time não é um jogo com uma narrativa forte e profunda. Não espere algo como The Last of Us part II (Curiosidade: a idealização de Crash Bandicoot no PS1 e o desenvolvimento da série em 1996 foi feita por Andy Gavin e Jason Rubin, durante a fase em que trabalhavam para a Naughty Dog entendeu a referência?). Apesar disso, a história é cativante justamente pela sua simplicidade. A verdade é, que se não fosse pelo caráter menos complexo, a decisão de não complicar a temática de viajem no tempo e a linearidade do enredo, o jogo perderia boa parte de seu charme.

A série “Crash” pode não ser sinônimo de enredo complexo, mas definitivamente é sinônimo de personagens carismáticos. É difícil superar um marsupial com síndrome de pião que é membro da Carreta Furacão (ou seria Crasheta Furacão? De qualquer forma, fica a dúvida). No quarto título, isso não poderia ser diferente, absolutamente todos os personagens, dos vilões aos mocinhos, tem carisma.

Aliás, ponto positivo para a dublagem brasileira, as piadas são bem adaptadas e não perdem o caráter cômico. Sendo assim, eu tinha um sorriso no rosto em praticamente todas as cutscenes. O design cartunesco e expressivo dos personagens somado a esses diálogos propositalmente engraçados traz um ar que, para alguns, pode beirar o infantil, mas, sinceramente, quem não gosta de uma galhofa?

Apesar de todos os pontos positivos apontados anteriormente, acredito que grande parte do encanto do jogo esteja em um ponto crucial: A nostalgia.

Aí que loucura! Vou pedir arrego!

(Título é referência direta a Narcisa Tamborindeguy. Você pode não saber quem é, mas tem grandes chances de já ter ouvido o bordão “Aí que loucura” ou “Aí que badalo”. Outra opção é que eu goste muito de memes alternativos da televisão brasileira.)

A nostalgia foi tão grande que, a todo instante, o jogo fazia questão de me lembrar de uma situação muito comum na minha infância. Sabe aquele momento em que você não consegue passar uma fase, precisa deixar o orgulho de lado e passa o controle para algum jogador mais experiente (ou mais paciente) que você?

Queridos sucolinos e sucolinas, Crash Bandicoot 4 é aquele tipo de jogo que, há alguns anos atrás, me faria passar o controle e a mecânica do Pass N. Play, em que você pode jogar com um amigo e passar o controle toda vez que um morrer, só fortaleceu o meu argumento. Na verdade, admito que só não fiz isso porque, em algum momento, me tornei a jogadora mais habilidosa da casa (humildade passou longe, mas é a verdade). Acho que já dá para imaginar que o jogo não é fácil (ou, talvez, eu seja péssima em jogos de plataforma).

As mecânicas são simples, todos os personagens possuem o mesmo moveset, com algumas poucas alterações. Basicamente, até por ser um gênero plataforma, o jogador é capaz de pular, agachar/deslizar, atacar/girar e utilizar habilidades que são desbloqueadas durante o avançar do mundo. Como já mencionei algumas vezes durante essa leitura, o jogador não estará limitado a jogar somente com Crash, desde o início a personagem Coco também é jogável em todas as fases e, com o avançar da campanha, outros personagens também estarão disponíveis para fases específicas. Com exceção dos dois protagonistas principais, todos os outros personagens têm mecânicas próprias que afetam a dinâmica das fases. Não direi quem são esses outros personagens, pois não quero que ninguém reclame de spoilers, mas garanto que houveram algumas aparições inesperadas.

Apesar das mecânicas simples, como dito anteriormente, o jogo não é fácil. Se acostumar com os comandos pode não ser difícil, mas para passar pelas fases (de primeira) sem morrer pelo menos uma meia dúzia de vezes é necessário habilidade, atenção e até sorte. Mas é assim que os desenvolvedores estabelecem um desafio, ao mesmo tempo que dão um motivo para que se jogue novamente após o endgame. Completar todos os objetivos da fase, ou seja, coletar todos os diamantes, quebrar todas as caixas, realizar o desafio de tempo e passar pelos modos alternativos de cada nível não é uma tarefa para uma jogatina só, para isso, é necessário que o jogador aprenda todas os detalhes do mapa frenético e, isso, leva tempo.

Em uma primeira run por todas as 43 fases do game, o tempo médio para que se termine a campanha é de 8 horas, mas para aqueles que querem pegar todos os bônus e troféus, esse tempo pode dobrar em uma média de 16 horas.

Outro ponto marcante que deve ser mencionado é o design de cada nível e mundo. Apesar da dinâmica de plataforma sempre presente, cada uma das áreas possui um ponto único que diferencia, nem que sutilmente, a jogabilidade. Todas as fases apresentam uma particularidade única, o que evita que a jogatina fique maçante. Além dos aspectos técnicos de design de nível para que haja uma maior fluidez e variação de gameplay, também deve-se mencionar que há um carinho e respeito notável pela trilogia original por parte da Toys For Bob.

Os gráficos, como esperado da nova geração, são muito bonitos, apesar de serem cartunescos. O design dos personagens é bem feito e a remodelação de Crash tem grandes chances de agradar os jogadores de PS1 saudosos da velha guarda. Principalmente aqueles players que não engoliram o marsupial tatuado de Crash of The Titans (jogo hack and slash lançado em 2007 que causou polêmica pelo design de Crash Bandicoot).

Para finalizar, em poucas palavras, o jogo é graficamente impecável, nostálgico tanto em sua organização de fases quanto em seus personagens. É desafiador, sem ser irritante. Homenageia, sem copiar. Inova o que já era estabelecido há mais de duas décadas. É, no geral, uma experiência divertida (quando não se está passando raiva por falhar miseravelmente em uma mesma seção da fase por ,pelo menos, 10 vezes) que honra a saga de Crash Bandicoot e sua vasta diversidade de personagens secundários e antagonistas.

Nostalgia Pura!

Crash Bandicoot 4: It´s About Time é uma carta de amor aos fãs e isso é indiscutível. Quem teve a chance de jogar a trilogia original do PS1 em algum momento da vida vai sentir uma nostalgia absurda jogando o novo título da franquia.

Dos cuidados com a organização das fases, às expressões dos personagens, a obra se destaca no que se propõe a fazer. Não é só uma homenagem, mas também o retorno de uma das franquias que está marcada na história da indústria de vídeo games e dos jogos de plataforma 3D. E, meus amigos, que retorno!

Tanto os adultos que cresceram jogando os jogos das gerações de consoles anteriores, quanto os novos gamers que estão sendo apresentados a Crash Bandicoot pela primeira vez através dos remasters dos últimos anos, irão gostar do estilo clássico e ao mesmo tempo único de “Crash 4″. Quem sabe, talvez mais uma criança tenha que passar pela experiência transformadora de passar o controle para alguém, pois não consegue passar de fase?

Concluindo, o novo jogo da saga de marsupiais pode não ser o melhor e maior jogo da geração de games que está em transição, mas, com toda a certeza, possui alma. O carinho e o respeito dos desenvolvedores pela série é perceptível em todo o momento e os jogadores nostálgicos, que provavelmente tem tanto apreço pela franquia quanto esses desenvolvedores, têm grandes chances de sentirem satisfação com o game. Para os que só se introduziram recentemente ao universo de Crash Bandicoot, garanto que a experiência não irá desapontar, pois o jogo cumpre a única função essencial para qualquer vídeo-game: Divertir.

No fim, ninguém resiste a um marsupial com síndrome de pião que faz parte da “Crasheta Furacão”. É impossível não ouvir o famoso refrão “Siga em frente, Olhe para o Lado…” e não se sentir intimado a comprar o jogo (ou bater palmas para o time de marketing…).

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