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Se você prestou atenção no filme ou leu os livros da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei sabe que a personagem Lara Jean, assim como suas irmãs Kitty e Margot, são americanas com descendência coreana. Apesar disso, nenhuma das três atrizes que interpretam essas personagens tem ascendência coreana. Todas elas tem fenótipos asiáticos, é claro, mas escalar atores de diferentes etnias para papeis com personagens que tem suas etnias especificadas é racismo, vem comigo entender porque.

Lana Condor (Lara Jean) é vietnamita naturalizada estadunidense, Anna Cathcart (Kitty) é canadense e Janel Parrish (Margot) é havaiana. Apesar da clara especificação da etnia das personagens nos livros, os produtores responsáveis pelo filme não se deram ao trabalho de procurar atrizes de ascendência coreana para os papeis, como se não fosse preciso se preocupar com isso já que todas elas apresentam fenótipo asiático. De todas as pessoas coreanas e com ascendência coreana morando nos Estados Unidos, os produtores não conseguiram encontrar 3, só 3, que fossem atrizes boas o suficiente para fazer parte do filme? Sério??

Infelizmente não é a primeira vez que isso acontece. Contratar atores que não tem nada a ver com a etnia na qual são escritos seus personagens é racismo para com o povo amarelo, pois perpetua o estereótipo que todo asiático é igual, já que todos os asiáticos tem olhos puxados então não faz diferença quem vai ser escalado ou não, vocês amarelos já estão tendo visibilidade, melhor que nada. A mesma coisa já aconteceu com a Lana quando ela interpretou a personagem Saya na série Deadly Class que na verdade é japonesa.

Apesar disso, não estou colocando de forma alguma a culpa do problema nas atrizes e atores asiáticos ou com fenótipo asiático que aceitam esses trabalhos. As oportunidades para pessoas amarelas, ainda mais em papeis de destaque, como foi o caso da Lara Jean, é uma chance entre um milhão e por mais que a atriz provavelmente seja consciente desse estereótipo, ela ainda é uma atriz e um trabalho desses não é algo para se deixar passar, ainda mais porque situações como essa são comuns em Hollywood. Mesmo que ela não aceitasse o papel, outra pessoa asiática com uma etnia diferente poderia ser escalada e ela seria substituída sem fazer a menor diferença.

Apesar da autora Jenny Han ter falado que já haviam tentado comprar sua história antes, mas adaptar com uma protagonista branca, não devemos aceitar o pouco que os estúdios e produtoras ocidentais nos dão. Temos que constantemente levantar nossa voz, sendo amarelo ou não, e deixar claro que vemos o que está sendo feito e que não vamos mais aceitar. Essa e outras reivindicações feitas em relação a representatividade é sobre fazer o mínimo, é sobre respeitar as pessoas amarelas e não tratá-las apenas como algo diferente e exótico a ser explorado em tela de vez em quando.

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PARA TODOS OS GAROTOS QUE JÁ AMEI

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P.S. AINDA AMO VOCÊ

AGORA E PARA SEMPRE

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